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O biofeedback cardíaco e o processo inflamatório

O biofeedback cardíaco e o processo inflamatório

Este artigo é um extrato de uma Newsletter publicada pela Neuropsicotronics (NPT), escrita pelo Dr. Marco F. Coghi, Diretor da NPT.

Vários experimentos estão sendo realizados para elucidar os detalhes do mecanismo de ação do biofeedback cardíaco sobre o processo inflamatório. Estes experimentos de baseiam no fato de que o sistema nervoso autônomo modula a produção de citocinas (cytokines, em Inglês), moléculas associadas aos processos inflamatórios.

“Atear fogo” é a expressão latina que identifica a inflamação, pois dois dos sinais mais evidentes deste processo inflamatório são a vermelhidão e o aumento da temperatura na área inflamada. Esta é uma reação natural do organismo a uma infecção ou a uma lesão de tecido.

Em artigo de revisão intitulado “O Reflexo Inflamatório”, escrito pelo químico e neurocientista K. J. Tracy, do Laboratory of Biomedical Science, North Shore-LIJ Research Institute de New York, e publicado pela renomada revista Nature em 2002, o autor demonstra que o sistema nervoso autônomo parassimpático interage intimamente com o sistema inflamatório, de forma que a ativação do nervo vago está associada à redução no nível de várias citocinas inflamatórias.

Os estudos de Tracy sobre a inflamação – respostas fisiológicas e imunológicas a infecções e traumas – demostram o mecanismo pelo qual os neurônios controlam o sistema imunológico (neuroimunologia).   Em 2015, Tracy recebeu prêmio da American Association for the Advancement of Science pela sua contribuição científica.

Segundo Tracy, “A inflamação é uma resposta local de proteção à invasão microbiana, ou de reação à lesão. Ela deve ser afinada e regulada precisamente, porque as deficiências ou excessos da resposta inflamatória causam morbidades e encurtam a vida. A descoberta de que os neurônios colinérgicos (parassimpáticos, que liberam a acetilcolina) inibem a inflamação aguda tem qualitativamente expandido nossa compreensão de como o sistema nervoso modula a resposta imunológica. O sistema nervoso reflexamente regula a resposta inflamatória em tempo real, assim como controla a frequência cardíaca e outras funções vitais. Agora existe oportunidade para aplicar esse conhecimento para o tratamento da inflamação através de sistemas neurais seletivos e reversíveis interconectados”.

“A magnitude da resposta inflamatória é crucial: respostas insuficientes causam imunodeficiência, o que pode levar a infecção e câncer; respostas excessivas causam morbidade e mortalidade e doenças tais como artrite reumatoide, doença de Crohn, aterosclerose, diabetes, doença de Alzheimer, esclerose múltipla, isquemia cerebral e infarto do miocárdio, doenças estas chamadas de autoimunes. Se a inflamação se espalhar pela corrente sanguínea, como ocorre na síndrome do choque séptico, septicemia, meningite e trauma grave, as respostas inflamatórias podem ser mais perigosas do que o estímulo original. A homeostase e a saúde são restauradas quando a inflamação é limitada por respostas anti-inflamatórias que são redundante, rápida, reversível, localizada, adaptável às mudanças nos estímulos e integradas pelo sistema nervoso”.

O biofeedback cardíaco e a ação anti-inflamatória

Um estudo realizado em 2010 na Universidade de Toronto, por R. P. Nolan e col., publicado no Journal of Internal Medicine, encontrou redução do nível da proteína C-reativa entre hipertensos tratados com biofeedback cardíaco. A hipertensão arterial, mesmo quando moderada, está associada à redução da expectativa de vida. A proteína C-reativa (PCR) é uma proteína produzida pelo fígado e encontrada no sangue na fase aguda de processos inflamatórios.

Estudo publicado em 2010 na revista Applied Psychophysiology and Biofeedback por P. Leher e col., do Departamento de Psiquiatria da UMDNJ-Robert Wood Johnson Medical School, demostrou que sujeitos expostos experimentalmente a uma citosina inflamatória (lipossacarídeo endotoxina) tiveram o efeito autônomo da inflamação fortemente modulado pelo treinamento com biofeedback cardíaco, indicando que há maior resiliência entre esses indivíduos. Os sujeitos que fizeram treinamento com biofeedback cardíaco apresentaram-se mais resistentes à ação desse agente inflamatório.

Abrindo um pequeno parêntesis, particularmente, eu (Dr. Fernando B. T. Leite) sou hipertenso e tenho os meus níveis pressóricos controlados por medicação anti-hipertensiva; eu fiz uma experiência pessoal, e, usando técnicas aprendidas através do treinamento com o biofeedback cardíaco, consegui reduzir progressivamente a dose de minha medicação anti-hipertensiva.

Voltando ao nosso tema, pesquisadores (Lehrer, 2010) sugerem que intervenções no sistema nervoso parassimpático devem modular as respostas inflamatórias que não são funcionais, não relacionadas à regeneração tissular, e que podem criar problemas de saúde, como doenças autoimunes ou saúde debilitada.

Os estudos de Lehrer mostraram que o treinamento com biofeedback cardíaco reduzem os sintomas das citocinas, quando comparados com os de um grupo controle. Isto mostra mais uma importante aplicação do biofeedback cardíaco.

Temos, portanto, uma nova função do biofeedback cardíaco sendo explorada, ainda na infância, que é o terceiro eixo: sua ação anti-inflamatória.

Futuramente, taremos novas notícias sobre este importante tema.

Você sabe que no Brasil já existe uma ferramenta de biofeedback cardíaco (HRV) disponível para auxiliar no tratamento da ansiedade? Para saber mais sobre essa ferramenta chamada cardioEmotion, faça download do e-Book “Como tornar visível o invisível: visualizando as reações psicofisiológicas por meio de biofeedback”.



Sobre o autor deste post: Colunista do blog do cardioEmotion, Dr. Fernando é formado em medicina pela USP, pós graduado em administração de empresas pela FGV, possui mais de 40 anos de experiência como executivo de sucesso em empresas multinacionais do ramo farmacêutico, além de escritor e tradutor sênior.

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