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O biofeedback na melhora do desempenho em esportes – parte 2

O biofeedback na melhora do desempenho em esportes – parte 2

Dando sequência à parte 1, veremos agora a abordagem tridimensional (aprendizado-modificação-aplicação).

A abordagem tridimensional

Esta abordagem é um programa psicológico multifacetado, que integra o treinamento pelo biofeedback com outras estratégias psicológicas, como um único pacote de intervenção. A inovação deste programa é a sua integração ao processo de treinamento do atleta, sendo baseado no princípio da periodicidade. A abordagem tridimensional é composta por três dimensões: aprendizado, modificação e aplicação.

Através do programa de treinamento, são aprendidas e praticadas habilidades psicológicas, para se tornarem mais específicas para o esporte e para serem aplicadas de maneira rápida, precisa e confiável. Por esta razão, o treinamento mental é realizado através de sete situações de estresse no laboratório e no ambiente de treinamento. Este processo é acompanhado por apoio de biofeedback, o que o torna rápido e confiável. O atleta observa a sua resposta em cada estágio e, então, fica mais capacitado a entender as suas metas concretas, no caminho para obter um melhor desempenho. As habilidades são aplicadas inicialmente no laboratório e, ultimamente, em rotinas antes do desempenho e antes de competições.

Nos estágios iniciais da abordagem tridimensional, o atleta pratica as estratégias/técnicas separadamente, enquanto que a principal meta é juntar as estratégias num único pacote de treinamento mental. O programa é então realizado em várias situações de estresse, que permitem a transferência das habilidades psicológicas para a realidade dos eventos competitivos. Finalmente, o princípio da periodicidade e a especialização esportiva devem ser levados em consideração para obter ótima preparação e função do atleta (Balague, 2000; Blumenstein, Lidor e Tenenbaum, 2005, 2007; Blumenstein e Orbach, 2012b; Beauchamp e col., 2012; Holliday e col., 2008).

O estágio do aprendizado

No início do processo, o estágio do aprendizado é realizado como parte da preparação geral do atleta. O objetivo principal é praticar para fortalecer os fundamentos físicos/técnicos/psicológicos. Um alto volume de treinamento, longas sessões de prática de intensidade moderada são as principais características do treinamento geral na maioria dos esportes (Bompa, 1999).

Neste estágio, os atletas praticam as principais as principais estratégias/intervenções psicológicas, como o treinamento pelo biofeedback, relaxamento muscular, concentração, imaginação e falar consigo mesmo. Este processo é geralmente acompanhado por controle através do biofeedback, como o HRV (heart rate variability = variabilidade da frequência cardíaca).

Ademais, estratégias psicológicas básicas são aprendidas e praticadas em diferentes níveis de estresse no laboratório e no ambiente de treinamento. Uma escala de situações de estresse foi desenvolvida baseada no trabalho dos autores com o treinamento pelo biofeedback, em diversos níveis de atletas e de modalidades esportivas.

No estágio de aprendizado, o atleta aprende e desempenha estratégias psicológicas básicas sob estresse “leve” em laboratório (isto é, níveis 1 e 2).

Nível 1 de estresse: neste nível, o estresse é produzido pelo exposição inicial a um dispositivo de biofeedback. A sessão de treinamento mental é realizada num laboratório em condições estéreis, e cada sessão dura aproximadamente 30 a 40 minutos.

Nível 2 de estresse: o estresse é geralmente produzido por comentários verbais, como comentários positivos e negativos feitos durante o treinamento pelo biofeedback. Por exemplo, motivação positiva (M+) pode ser criada por comentários como “maravilhoso”, “bom trabalho”, “bom dia”, “muito bem”. Por outro lado, a motivação negativa (M-) pode ser criada por comentários como “este é um mau dia”, “você está errando”, “você não está relaxando hoje”, “o que está acontecendo hoje com você”? As sessões mentais são realizadas no consultório e duram aproximadamente 30 a 40 minutos.

A duração deste estágio é de aproximadamente 2 meses (7 a 8 sessões), durante as quais diversas técnicas psicológicas são adquiridas.

O estágio da modificação

O estágio da modificação é aplicado paralelamente à fase de preparação específica do treinamento do atleta. O principal objetivo desta fase é desenvolver ainda mais a capacidade do atleta, de acordo com características únicas físicas e fisiológicas do esporte (Bompa, 1999; Bompa e Haff, 2009; Carrera e Bompa, 2007). Além disso, neste estágio o atleta integra à sua prática os componentes técnicos e táticos da preparação.

Portanto, as sessões mentais e as estratégias psicológicas são modificadas, de acordo com a prática. Por exemplo, durante as sessões mentais, o atleta foca nas técnicas de concentração e de imagens, nas quais ele visualiza elementos técnicos seus ou dos seus oponentes, em esportes combativos. Além disso, a duração das intervenções psicológicas e do seu pacote é relacionada à modalidade esportiva. Por exemplo, no judô, o treinamento pelo biofeedback envolve relaxamentos curtos de 1 a 3 minutos (preparação antes da luta), seguido por imagens durante 5 minutos (a duração da luta na vida real).

A duração do estágio da modificação é de aproximadamente 2 meses (7 a 8 sessões), que são realizadas em laboratório/no ambiente de treinamento sob estresse moderado (níveis 3 e 4).

Nível 3 de estresse: o principal objetivo da sessão mental são tarefas mentais concretas. Os atletas aprendem habilidades de auto controle de maneira rápida, exata e estável, de acordo com a modalidade esportiva. O estresse da tarefa mental é produzido por demandas específicas, como qualidade do desempenho e limites de tempo: (a) faça relaxamento (ou concentração) para obter um valor concreto de frequência cardíaca (FC); (b) capacidade de relaxar ou de concentrar dentro de um limite de tempo de 30 segundos, e, então, de 1, 3 e 5 minutos. Por exemplo, o objetivo do atleta é (a) conseguir um relaxamento com o biofeedback HRV durante 2 minutos, com uma diminuição de 10 batimentos por minuto (bpm), como reduzir a FC de 72 para 62 bpm; (b) relaxar o músculo frontal (testa) durante 1 minuto. As sessões mentais são realizadas no laboratório e cada uma delas dura de 40 a 45 minutos.

Nível 4 de estresse: neste nível, o estresse é produzido nas mesmas condições do nível anterior, mas com demandas de recompensa/punição, que são estressantes para o atleta, como o número de flexões de braço que o atleta é capaz de fazer. A sessão mental é realizada no laboratório e no ambiente de treinamento.

O estágio da aplicação

A aplicação deste estágio é ligada à fase de competição do princípio de periodicidade. O foco neste estágio é praticar os elementos técnicos/táticos do desempenho do atleta. A prática inclui simulação de eventos competitivos anteriores, gerando situações da vida real, usando diversos tipos de estresse. Portanto, as sessões de treinamento mental incluem a prática de habilidades como relaxamento, concentração e imaginação com biofeedback, em situações de estresse. Para tanto, ruídos e cenas de competições foram preparados e praticados.

Nível 5 de estresse: nesse nível, o estresse é gerado por sons gravados em competições da vida real. O atleta pratica as suas habilidades mentais nestas condições, que incluem sons da torcida, observações dos árbitros, música da competição e todos os outros sons específicos do ambiente da competição. A sessão mental é realizada no laboratório e em ambiente de treinamento.

Nível 6 de estresse: o estresse é produzido por gravações de vídeo do atleta e dos seus adversários. Ademais, os vídeos incluem competições nas quais houve vitórias/derrotas, tentativas bem ou mal sucedidas e largadas.

Nível 7 de estresse: neste nível, o estresse é produzido por uma combinação de níveis de estresse de 1 a 6. A sessão mental é realizada no laboratório e no ambiente de treinamento.

Por exemplo, uma característica principal da aplicação deste estágio é a simulação e a prática do próprio evento que gerou esta preparação mental. Este processo é acompanhado pelo treinamento pelo biofeedback, e a meta é desempenhar habilidades psicológicas rápida e precisamente, no tempo de competição real.

A prática baseada na abordagem tridimensional ajuda o atleta a “juntar tudo”, em relação aos momentos críticos da competição. Ela permite que o atleta integre as habilidades mentais como parte das rotinas de preparação de antes da competição, bem como das rotinas para melhorar o desempenho.

Conclusões

O treinamento pelo biofeedback passou por muitos desenvolvimentos na última década. A aplicação deste processo no esporte foi ampliada do laboratório para o campo, englobando intervenções psicológicas e, finalmente, integrando o treinamento pelo biofeedback à preparação do atleta. Esta tendência foi observada por (Beauchamp e col., 2012; Blumenstein e Orbach, 2012c,d; Blumenstein e Weinstein, 2011; Dupee e Werthner, 2011; Edmonson e Tenenbaum, 2012; Wilson e col., 2006; Zaichkowsky, 2009).

Dizem os autores que eles acreditam que, no futuro, o principal foco do treinamento pelo biofeedback deve ser associado ao aumento da transferência do treinamento e do melhor desempenho à competição.


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Sobre o autor deste post: Colunista do blog do cardioEmotion, Dr. Fernando é formado em medicina pela USP, pós-graduado em administração de empresas pela FGV, possui mais de 40 anos de experiência como executivo de sucesso em empresas multinacionais do ramo farmacêutico, além de escritor e tradutor sênior.

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