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Biofeedback cardíaco: o que é e como funciona a variabilidade da frequência cardíaca

Biofeedback cardíaco: o que é e como funciona a variabilidade da frequência cardíaca

Nos últimos anos tem havido apoio substancial ao uso do biofeedback da variabilidade da frequência cardíaca, também conhecido como biofeedback cardíaco e biofeedback do HRV, na melhora do desempenho desportivo e também relacionada a uma série de distúrbios de saúde (Richard Gervitz, 2013). Esses distúrbios, como a asma e a síndrome do cólon irritável, parecem responder a esta forma de treinamento através do biofeedback cardiorrespiratório.

Os mecanismos mais aceitos para explicar estes benefícios são o fortalecimento da homeostasia dos barorreceptores (Vaschillo et al., 2002, 2006; Lehrer et al., 2003), o efeito sobre as vias aferentes vagais a áreas do córtex frontal e outros.

Gervitz revisou recentemente (2013) as seguintes possíveis aplicações do biofeedback cardíaco: asma, DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), vômitos cíclicos, dores abdominais recorrentes, fibromialgia, reabilitação cardíaca, hipertensão arterial, dores musculares crônicas, depressão, ansiedade, distúrbio pós-traumático (estresse), insônia e desempenho. Ele verificou que o benefício em algumas dessas mencionadas áreas está baseado em estudos controlados e que o quadro geral é promissor.

Vários mecanismos fisiológicos e psicológicos podem contribuir para estes resultados positivos.

O relacionamento de fase entre a variação da FC e a respiração: durante a respiração normal, uma das muitas oscilações da FC ocorre geralmente na mesma frequência da respiração. Este fenômeno é conhecido como arritmia sino respiratória (ASR). As pessoas frequentemente respiram em frequências diferentes, em diferentes momentos e, para a maioria das pessoas, na maior parte do tempo, a frequência respiratória varia entre 9 e 24 respirações por minuto. As oscilações correspondentes da FC podem ser interpretadas como influências da respiração sobre o nó sinoatrial do coração, que é o marca-passo natural.

Resultados sugerem que há evidência de uma melhora dos sintomas respiratórios e da qualidade de vida, através do treinamento pelo biofeedback cardíaco, de pacientes com enfisema crônico (Giardino et al., 2004).

Relacionamento de fase entre a FC e a pressão arterial (PA): os primeiros estudos de Vaschillo mostraram mudanças sistemáticas no relacionamento de fase entre a FC e a PA, quando o sistema foi estimulado em diversas frequências. Ele verificou que, para cada pessoa, havia uma frequência específica na qual a mudança da FC era maior por cada unidade de alteração da PA. Este relacionamento de fase sugere fortemente que o mecanismo das altas amplitudes de oscilações da FC era o barorreflexo. Este efeito é também conhecido como coerência cardíaca.

Este reflexo é mediado por sensores da PA da aorta e das artérias carótidas, que ajudam a modular as flutuações da PA (Eckberg e Sleight, 1992). Os barorreceptores das paredes dessas artérias detectam um alongamento das artérias que ocorre com o aumento da PA. Quando a PA aumenta, o barorreflexo causa uma diminuição imediata da FC. À medida que a PA diminui, o barorreflexo causa um imediato aumento da FC.

A prática do treinamento pelo biofeedback cardíaco duas vezes por dia em casa, durante cerca de 3 meses, produz um ganho referente ao barorreflexo em repouso, isto é, antes de uma dada sessão de treinamento (Lehrer et al., 2003). Isto demonstrou a neuroplasticidade do barorreflexo e sugeriu que exercícios regulares de treinamento o fortalecem. Também foi sugerido que várias condições afetadas pela labilidade da PA e controladas pelo barorreflexo podem ser afetadas pelo biofeedback cardíaco. Consequentemente, há uma crescente evidência que o treinamento pelo biofeedback pode ajudar pacientes hipertensos a baixar os seus níveis de PA (Nolan et al., 2010; Wang et al., 2010; Lin et al., 2012).

As vias do controle neural do barorreflexo sugerem outras possíveis aplicações do treinamento pelo biofeedback cardíaco. O barorreflexo é mediado pelo núcleo do trato solitário, localizado no tronco cerebral (Raven et al., 1997; Rogers et al., 2000; Polson et al., 2007; Arnold et al., 2009). Este centro se comunica diretamente com a amígdala, um centro de controle emocional e de memórias aversivas, uma via que se estende através da ínsula (Volz et al., 1990; Henderson et al., 2004). Talvez seja por esta razão que diversos estudos mostram efeitos positivos do treinamento pelo biofeedback cardíaco no tratamento da ansiedade e da depressão (Karavidas et al., 2007; Reiner, 2008; Siepmann et al., 2008; McCraty et al., 2009; Nada, 2009; Zucker et al., 2009; Henriques et al., 2011; Tan et al., 2011; Patron et al., 2013).

Além destes mecanismos até agora citados, há outros como a ressonância, as vias aferentes vagais, os efeitos eferentes vagais, a maior eficiência das trocas gasosas, o efeito de meditação, o alongamento mecânico das vias aéreas e efeito anti-inflamatório.

No Brasil existe o biofeedback cardíaco cardioEmotion que é produto nacional desenvolvido no centro de inovação da Universidade de São Paulo.

Isto e muito mais sobre este tema pode ser visto no artigo “Heart rate variability biofeedback: how and why does it work?” de Paul M. Lehrer e Richard Gevirtze e através do e-Book “BIOFEEDBACK – Uma poderosa ferramenta para psicólogos e psiquiatras”, que pode ser baixado gratuitamente clicando aqui.

Os autores do e-Book são:

Priscila Fernandes Coghi, Psicóloga, pós-graduanda em Neuropsicologia pela Escola de Medicina da Universidade de São Paulo (EMUSP), diretora da NPT – Neuropsicotronics Ltda.

Marco Fabio Coghi, Fisioterapeuta pós-graduado, professor do curso de pós-graduação da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), diretora da NPT – Neuropsicotronics Ltda.

Sobre o autor deste post: Colunista do blog do cardioEmotion, Dr. Fernando é formado em medicina pela USP, pós graduado em administração de empresas pela FGV, possui mais de 40 anos de experiência como executivo de sucesso em empresas multinacionais do ramo farmacêutico, além de escritor e tradutor sênior.

Comentários: 1

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